quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Jornal Do Barreiro


Escolas do concelho vivem situações de Bullying!


Existente desde sempre, o fenómeno para o qual recentemente se adoptou o estrangeirismo Bullying, ganhou maior sonância com a divulgação, pela Comunicação Social, de alguns casos de adolescentes que agridem colegas de escola. Na presente edição, o Jornal do Barreiro relata o caso de um rapaz de 12 anos, que frequenta uma escola secundária do concelho do Barreiro e que já passou por este drama na adolescência. O ‘Quim’, assim chamado nesta reportagem, é mais um exemplo de um jovem que contou com o apoio da intervenção da Escola Segura, programa da Polícia de Segurança Pública (PSP) que procura identificar o maior número de casos de Bullying no concelho...


"No caso da vítima, esta costuma ser uma pessoa mais frágil, com "algum traço ligeiramente destoante do grupo de pares", traço este que pode ser físico (uso de óculos, alguma deficiência, roupas fora de moda...) ou emocional, como é o caso da timidez. Geralmente, o agredido tem "dificuldades na criação de novas amizades e não se encontra inserida num grupo" e "não dispõe de habilidades físicas e emocionais para reagir, é insegura e a timidez impede-a de procurar ajuda".
"A estes casos têm estado mais atentas as escolas mas, sobretudo, a PSP, através do seu Programa especial Escola Segura (ver caixa), cujos agentes são normalmente conhecidos e bem recebidos entre os alunos de todos os níveis de ensino do concelho e do país. Segundo o subcomissário da 5ª Esquadra do Barreiro, Ricardo Duarte, os dados referentes ao número de casos no concelho "não são concretos", até porque "o Bullying é uma forma de violência que actua na sombra". "As vítimas não denunciam o seu agressor e tendem a sofrer em silêncio ao serem subjugados", refere o subcomissário, explicando que as agressões que causam angústia ou humilhação à vítima "ocorrem sem motivações evidentes e são adoptadas por um ou mais estudantes contra outro(s)". . .


"Cheguei a casa e contei a verdade. Era lá onde me sentia melhor" – ‘Quim’, 12 anos, 7º ano, estudante no Barreiro"



O caso do Quim serve de exemplo aos relatos habituais das vítimas de Bullying. Com apenas 12 anos de idade, este adolescente viu o seu caso durar desde o início do ano lectivo 2009/2010 até ao fim do mês do passado mês de Janeiro.
A vontade de mudar de escola era nula quando em 2009 tomou consciência dessa necessidade, pelo facto de mudar de casa. Vindo de uma escola onde "os professores já estavam habituados" a lidar com casos de mau comportamento, em Setembro passado, Quim chegou a uma nova escola para frequentar o 7º ano de escolaridade.
Conforme admite, "de início ia um pouco contrariado", mas o convívio com os colegas fê-lo sentir-se mais à vontade até que começaram a surgir os ‘calduços’. "Não se passava nada nem ninguém fazia nada de especial, andávamos de um lado para o outro; só de vez em quando é que eles começavam com calduços, mas era na brincadeira. Alguns viravam-se a eles mas eu não porque não podia… era um grupo grande". "Eles" eram afinal cerca de 10 colegas de turma, que, juntos num grupo constituído por um líder e os seus seguidores, actuavam como bullies.
Para o Quim era fácil distinguir entre as agressões habituais de brincadeira e a prática de Bullying. Dos ‘calduços’ aos pontapés, a um olhar diferente e uma conversa "mais à frente", a distância pode, porém, não ser muita. "Sim, eu vejo logo. Começam a dar com mais força. Às vezes também querem que eu bata nos outros mas eu começo a correr para não me meter em nada", explica o Quim, deixando transparecer ainda algum receio no seu olhar.
"E eles dizem-te porque fazem isso?" – Esta é uma pergunta que nem sempre tem uma só resposta, mas o Quim soube dar um exemplo. "Às vezes, uns amigos meus começam a chamar nomes às mães deles e eles vigam-se. E os que têm medo, às vezes, também se juntam a eles para não levarem", diz.
Sem ter frequentado nenhum das acções da Escola Segura, o Quim agiu como um caso típico de vítima de Bullying. "Eu chegava a casa e não dizia nada, também para não arranjar problemas, e na escola também não; só falava com um amigo meu", confessa. Isso aconteceu até, um dia, aparecer em casa com um hematoma na cabeça que o denunciou, para confirmação da mãe, não tendo ido às aulas no dia seguinte. "Cheguei a casa e contei a verdade. Era lá onde me sentia melhor", recorda o rapaz.
Como encarregada de educação, a mãe deste jovem contactou a Directora de Turma do filho e, de seguida, a PSP, que, através da Escola Segura, levou o Conselho Directivo da escola a convocar todos os alunos da turma a prestar declarações. "Eles apanharam todos um susto e parece que aprenderam; mas, quanto ao caso, não sabemos o resultado, nem se fica arquivado ou encerrado. Apenas nos dizem que não existem testemunhas", argumenta a mãe do Quim.
Certo é agora que o caso está aparentemente resolvido, para bem do Quim, já que, segundo a sua mãe, os principais alertas para a sua situação foram a descida nas notas ("seis negativas como nunca era habitual") e um comportamento agressivo em casa. "Agora já não me tocam nem me fazem nada mesmo porque também não querem arranjar mais problemas e o melhor para mim é mesmo afastar-me", testemunha o Quim, mais tranquilo..."




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